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criado por carmemfidalgo
13:23:23Regras éticas: isso é "coisa" que se ensina?
Coisa” que não se ensina são todas aquelas que, inerentes à espécie, desenvolvem-se pelo instinto. Dessa maneira, não se ensina, por exemplo, uma criança a respirar, a mamar e tudo mais que surgirá em seu processo de desenvolvimento. Quanto ao mais, é essencial que tudo se ensine. Reclama-se muito do fato de os jovens da atualidade não “terem respeito pelos mais velhos” e “não respeitarem nem a si próprios” e protesta-se pela ausência do culto a valores que sempre marcaram as gerações e que, quase de um dia para o outro, parecem ter se perdido. Esses protestos podem ser justos e coerentes, mas, se os valores pelos quais sempre se reclama não são ensinados (e geralmente não o são) e não são produtos instintivos do desenvolvimento humano (e, certamente, também não o são), torna-se necessário e imperioso que eles sejam ensinados pelos pais, pela televisão, pelos amigos, pelo cinema e pela mídia. Contudo, se esses veículos não ensinam ou ensinam mal, cabe à escola e, portanto, aos professores fazê-lo. Mas, fazê-los como? De que forma será possível ensinar regras éticas ou princípios morais sem que esse assunto seja considerado “careta”, pois, por ser visto como “chato”, ele não é apreendido?
É evidente que o ensino de regras éticas não pode ser ministrado como se transmite informações referentes às Capitanias Hereditárias ou qualquer outro tema de um programa escolar, por exemplo. Ensinar regras éticas supondo alunos imobilizados em sua carteira e restritos em seus pensamentos é, efetivamente, perder tempo e garantir que nada do que se mostrou ficará. Assim, um primeiro passo para o ensino de regras éticas é utilizar-se de estratégias de ensino mais vivas e, portanto, dinâmicas, estruturando-as por meio de perguntas intrigantes que propiciem o debate, analisando-as em “estudos de casos” interessantes, extraídos das novelas que se vê, das notícias que os jornais comentam, dos debates que se insurgem ou da polêmica que este ou aquele lance de futebol suscitou. Para o ensino de regras éticas, o professor assume um novo papel, falando menos, interrogando mais, abdicando de sua condição de “senhor da verdade” para posicionar-se como interlocutor que, desafiando idéias, exercita o pensar. Essa discussão não necessita unanimidade nas respostas e jamais busca a padronização das idéias; ela antes busca a inquietação da dúvida e sugere caminhos pessoais na procura.
Estabelecida uma estratégia dinâmica, busca-se o segundo alvo, que é o aluno a quem se ensinará. Pouco importa se este estuda em escola pública ou particular e se o conteúdo chega até ele pela Filosofia, Literatura, Geografia ou História. Nesse item, o que importa é buscar a faixa etária do estudante e, portanto, a identificação de sua maturidade para essas reflexões. Antes dos 12 ou 13 anos — um pouco antes para as meninas — o estudante ainda não aprimorou seus pensamentos abstratos e, por isso, é capaz de “entender” regras éticas, mas é imaturo para, efetivamente, “compreendê-las”. Em outras palavras, pode até ser capaz de enunciá-las, mas dificilmente terá maturidade para transpor o conteúdo refletido para outras situações.
Definida a estratégia de ensino e o aluno para o qual ela se dirige, é essencial que se encontre a oportunidade, isto é, o momento propício para que esse trabalho se desenvolva. Mas é importante que essa oportunidade não surja solta, desvinculada de outros conteúdos que se busca ensinar. O mais interessante é contextualizar o ensino de regras éticas com um tema que se discute, um livro que se leu ou uma ocorrência que, envolvendo as “circunstâncias” dos estudantes, faça-os perceber que as regras éticas não constituem “informação” (que se pode assumir ou não), mas, sim, conhecimento que nos habilita a viver e, sobretudo, conviver.
Percorrido esses passos, chega-se ao último — quais seriam essas regras? Onde buscá-las?
Não existe, felizmente, uma única resposta para essa questão. Regras éticas, princípios morais e valores sociais se apresentam em inúmeros documentos e extraordinários textos, como, por exemplo, um dos últimos livros de Carl Sagan, Bilhões e Bilhões1. Para esse cientista, os padrões mais admirados de comportamento ético, pelo menos no mundo ocidental, poderiam ser definidos por meio de algumas regras, que precisam ser vistas não como tema que se apresenta, mas, sim, como análises do cotidiano. A “regra de ouro” seria: Faças aos outros o que desejas que te façam”; a “regra de prata”: Não faças aos outros o que não desejas que te façam; a ”regra de bronze”: Faças aos outros o que te fazem; e a “regra de ferro”: Faças aos outros o que quiseres, antes que te façam o mesmo.
Trabalhar essas regras, fazer com que sejam percebidas no cotidiano e relembrá-las não como ocorrência que pode “cair” em uma prova, mas como fundamento que a cada instante se apresenta na vida e nas relações humanas, não parece tarefa impossível. Afinal, essas regras éticas não foram inventadas por este ou por aquele legislador humano iluminado; elas provêm de nós mesmos, ou seja, trazemo-las das profundezas de nosso passado evolutivo, em tempos em que nem humanos ainda éramos.
1 SAGAN, Carl. Bilhões e bilhões. Companhia das Letras. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. p. 200-210.
Celso Antunes é professor e psicopedagogo

criado por carmemfidalgo
09:01:00AUTO-ESTIMA -ESTIMADO PARA SE ESTIMAR-
por Fabian Stamate, Tânia Rangel
psicopedagogos
Cabe ao psicopedagogo e a outros técnicos de ajuda reflectir sobre o ser humano e o seu modo de funcionamento com o outro. Criança, adolescente ou adulto, qualquer um deles, por mais diferente que seja quanto à sua organização psicológica, é sempre um ser humano que vive em sociedade, com o seu grupo de pares, isto é, no seu micro-sistema e que interage com diversas entidades físicas e psicológicas, cujo consequente sucesso dependerá de vários factores intrínsecos e extrínsecos.
Assim, é nesta perspectiva que abordamos a auto-estima, como uma das características do ser humano de extrema importância para as relações humanas.
- Mas afinal o que é a auto-estima?
Tão falada e comentada nos dias de hoje, mas sabemos defini-la correctamente?
Nos nossos dias a palavra auto-estima é utilizada por diversos tipos de profissionais, quer sejam ou não da área das Ciências Humanas. Se pensarmos o porquê desta saudável vulgarização, talvez cheguemos à conclusão, que cada vez mais se está a dar uma maior importância ao bem-estar das pessoas.
É, portanto, neste sentido que pensamos ser importante abordar a questão da auto-estima, do ponto de vista técnico e científico, para que se reconheça legitimidade, nas conversas formais e informais que se têm hoje em dia.
Antes de mais, na nossa opinião, auto-estima é acima de tudo uma atitude, uma atitude para consigo próprio que vai sendo adquirida ao longo do crescimento e do desenvolvimento da criança. Para muitos autores, a auto-estima constitui o núcleo básico da personalidade, para outros, é a forma habitual, mais ou menos estável de pensar, sentir, amar, comportar-se e reagir consigo próprio, sendo obviamente uma estrutura dinâmica e passível de ser modificada.
Deste modo, a forma como lidamos connosco pode influenciar - e influencia concerteza - a forma como lidamos com os outros, quer na vida profissional, familiar e escolar:
- a auto-estima poderá ajudar a ultrapassar dificuldades pessoais, fomentando a auto-responsabilidade - se o indíviduo acreditar que tem em si recursos disponíveis para responder às necessidades que lhe vão surgindo, ele irá esforçar-se para cumprir determinada tarefa;
- permite uma relação social saudável e positiva - pois se o indivíduo tem uma boa relação consigo próprio, será mais fácil de transpor para os outros que o rodeiam; desenvolve a criatividade - pois para se trabalhar a criatividade, será necessário que o indivíduo se sinta confiante e que acredite que é capaz de desenvolver e de criar algo;
- por último, falamos da aprendizagem, tema que por, responsabilidades profissionais nos é mais querido e sensível. É, pois um dado adquirido, para os especialistas que, a auto-estima de uma criança afecta, influencia e condiciona a aprendizagem. Se não, pensemos que, para adquirirmos qualquer ideia nova temos que estar "disponíveis" para essa aquisição, isto é, se não acreditarmos que temos capacidade para compreendê-la, para reter uma matéria ou perceber uma fórmula, não chegaremos a ter motivação suficiente para investir nessa nova tarefa. Os comentários destrutivos dos pais, professores e colegas são muitas vezes formas de acentuar o autodesespero e a intolerância à frustração.
Todos nós somos testemunhas da impotência que uma criança ou uma adolescente sente quando tem uma baixa auto-estima. Aqui, todas as experiências negativas vão reforçar esta característica e fazer com que o tão desejado sucesso escolar, fique cada vez mais distante e difícil.
Então, se tudo isto não é inato, mas sim adquirido e dinâmico, então estimemos o outro para que ele se estime.

criado por carmemfidalgo
13:55:49
criado por carmemfidalgo
13:40:50LIÇÕES DAS CRIANÇAS
LARAMARA – Associação Bras. de
Assistência do Deficiente Visual
QUE ELAS GOSTARIAM DE NOS ENSINAR
·Não me mime demais. Eu sei muito bem que não posso ter tudo o que quero. Algumas vezes até gosto de testar você.
·Não tenha medo de ser firme comigo. Eu prefiro assim, me faz sentir mais segura.
·Não me deixe formar maus hábitos. Confiando em você, vou procurar corrigi-los logo de início.
·Não me faça sentir menor do que sou. Isto somente faz com que eu me comporte de modo cada vez mais tolo.
·Se você puder, evite me corrigir na frente dos outros. Eu vou prestar muito mais atenção, se você conversar comigo em particular.
·Não me faça imaginar que meus erros são pecados. Isto atrapalha todo meu juízo de valores.
·Não me proteja das conseqüências. É preciso aprender o caminho, ainda que ele seja difícil e até doloroso.
·Não fique muito chateada quando eu digo eu não gosto de você. Não é que eu não goste de você, o que me frustra é o seu senso de poder.
·Não dê muita bola para minhas pequenas indisposições. Algumas vezes eu estou apenas procurando chamar a atenção.
·Não me repreenda sempre. Se você fizer assim, eu vou me proteger, fazendo-me de surda.
·Não faça promessas precipitadas. Lembre-se que nos sentimos muito frustradas quando as promessas não são cumpridas.
·Não se esqueça de que eu não consigo me explicar tão bem quanto você gostaria. É que eu nem sempre consigo ser tão precisa quanto você gostaria. Tenha um pouco mais de paciência comigo.
·Não valorize demais minha honestidade. Eu morro de medo de dizer mentiras.
·Não me enrole quando eu fizer alguma pergunta. Se você fizer assim, você vai perceber que eu vou parar de perguntar e procurar descobrir minhas respostas com outras pessoas.
·Não me diga que meus medos são tolices. Eles são tremendamente reais para mim, você pode me ajudar e me tranqüilizar, simplesmente, fazendo com que eu os entenda.
.Não pense que você vai perder sua dignidade tendo que se desculpar. Um pedido de desculpas honesto fará com que eu me sinta até mais carinhosa com você.
·Não se esqueça que eu estou crescendo rapidamente. Deve ser difícil para você acompanhar meu crescimento, mas, por favor, tenha consciência dele.
·Não se esqueça que eu adoro experimentar, portanto, agüente minhas tentativas.
· Não se esqueça que de eu não posso evoluir sem compreensão e muito amor. Será que eu preciso dizer até isto para você?

criado por carmemfidalgo
13:36:17